Marina Silva terá o “voto evangélico”?, especialistas avaliam

Com a entrada de Marina Silva nas pesquisas divulgadas ontem tem um efeito de mudança imediata na corrida presidencial.

A Datafolha divulgou ontem (18) uma pesquisa que mostra uma mudança clara nas intenções de voto do segmento evangélico. Marina teve grande crescimento entre “os evangélicos pentecostais e os jovens. Nos dois segmentos, o salto é de 300%”, afirma o instituto de pesquisas.

Na pesquisa anterior, em julho, Campos estava com 6% entre os evangélicos e Marina obtém agora 24%. Dilma tem 32%, mas pode-se considerar empate técnico no primeiro lugar já que a margem de erro é de quatro pontos (para mais ou para menos). Aécio Neves fica em terceiro, com 15%.

Quando analisado o público em geral, Dilma tem 36%, Marina aparece em segundo com 21% num empate técnico com Aécio que manteve os 20% da pesquisa passada. Houve uma grande diminuição entre os indecisos e, segundo o Datafolha, Marina venceria num provável segundo turno com Dilma Rousseff.

Embora Marina não tenha sido declarada oficialmente candidata no lugar de Eduardo Campos, os primeiros índices são bastante favoráveis a ela, pois Eduardo Campos tinha apenas 9% das intenções de voto na pesquisa de julho.

Pelo fato de ser evangélica, Marina Silva deve se beneficiar com o chamado “voto evangélico”, que já são 20% do eleitorado brasileiro, segundo o IBGE. Notícia ruim para Pastor Everaldo (PSC) que até o momento vinha se destacando neste segmento.

O presidente do Conselho Político das Assembleias de Deus, pastor Léliss Washigton Marinho, declarou ao jornal O Globo: “A gente vê com bons olhos o retorno de Marina como protagonista nesta eleição… Ainda não tínhamos fechado um nome formal, mas havia uma tendência a anunciar o apoio ao Pastor Everaldo, que defende publicamente nossa agenda. A volta da Marina tem que ser analisada, pois há uma identificação natural dos evangélicos com o seu nome, mas há questões pendentes que ela deve se posicionar”.

Os principais ramos da Assembleias de Deus: Madureira (do bispo Manoel Ferreira); Belém (do pastor José Wellington) e Vitória em Cristo (de Silas Malafaia) sinalizavam para fechar com Everaldo, que é pastor assembleiano.

Contudo, Léliss Marinho, acredita que isso pode mudar: “A posição só será adotada depois de nova consulta as lideranças da Assembleia de Deus. Temos um novo cenário e todos teremos que nos posicionar novamente”.

Adversário declarado do PT, Malafaia declarou ao Globo,: “O eleitor evangélico codifica em Marina uma candidata que pode representar sua agenda. A confirmação do seu nome pode abrir uma sangria dos votos evangélicos que estavam na presidente Dilma e no Pastor Everaldo. É evidente que as tendências dos eleitores evangélicos sofrerá um realinhamento”. É muito improvável que Malafaia mude de ideia, já que criticou abertamente Marina em 2010 e desistiu de apoiá-la.

Justamente pelas questões levantadas por Malafaia e Marco Feliciano em 2010, que cobravam uma postura mais clara de Marina em relação às chamadas “causas evangélicas” é que ela não tem apoio integral dos evangélicos conservadores.

Uma das principais críticas é o posicionamento da candidata do PSB em relação ao aborto e os direitos dos gays. Em 2010, ela declarou ser a favor da “união civil de bens entre homossexuais” e tratou a questão do aborto como “saúde pública” e propôs um plebiscito sobre o assunto.

Segundo o teólogo e cientista político da Faculdade Evangélica das Assembleias de Deus (Faecad), pastor César Moisés Carvalho, Marina não espera o apoio em massa dos evangélicos “Ela nunca teve a apoio formal evangélico e nunca o pediu também. Mas isso não significa que ela está isolada dos evangélicos. Pelo contrário, ela pode não ter as lideranças, mas tem a simpatia da comunidade”.

Entre as poucas lideranças de expressão que já declararam seu voto publicamente em Marina estão Valnice Milhomens e Renê Terranova.

Em seu perfil do Facebook, Valnice tem feito campanha abertamente e rebateu os evangélicos que criticam sua candidata “Marina mostra equilíbrio em todas as suas posições. Infelizmente há quem julgue sua forma ética de se posicionar com falta de posição. Suas convicções acerca dos valores da Palavra de Deus são firmes, mas não sataniza nem agride aos que pensam de forma diferente. Postura de cristã madura e Estadista digna”. A exemplo do que fez quatro anos atrás, Terranova defende Marina como “o governo do justo”.