Agressão

por Fábio Farias

Para evitar que outras versões corram pela net, vou detalhar como foi a agressão por parte de alguns militantes do PSB que sofri ontem.

Estava no Centro Cultural da Zona Norte com o objetivo de cobrir a inauguração promovida pela Governadora. Wilma chegou ao local com duas horas de atraso, com uma grande comitiva e com aproximadamente 10 pessoas que gritavam palavras de ordem a cada palavra que ela falava.

Fiquei próximo dessas pessoas, porque um dos pontos da minha pauta era falar sobre eles. Nos momentos em que ela discursava, eles combinavam entre si as palavras de ordem que falariam e gritavam. Alguns usavam um broche com o símbolo do PSB. Tentei conversar com algum deles, mas não me deram ouvidos.

No final do evento, depois da inauguração, essas pessoas formaram um corredor para a governadora passar até o carro e continuaram gritando. Depois que o carro oficial saiu, eles entraram numa van. Nesse momento, me aproximei e anotei a placa e a empresa locadora da van, com o objetivo de citar na matéria.

Aí é que a confusão começou.

Nessa hora, uma das pessoas me chamou para próximo da van e perguntou o que eu estava fazendo. Falei que era repórter do Novo Jornal e que havia anotado a placa. Essa pessoa, aos gritos, mandou eu apagar as minhas anotações. Não fiz e saí do local para evitar problemas.

Depois disso, um deles saiu da van e a pediu para um policial, que ele me obrigasse a apagar a informação. Expliquei ao policial que eu era reporter, estava em serviço e que não iria apagar nada. O rapaz que fez isso era um gordinho, de camisa bege, que não me destratou e tentou resolver “amigavelmente”. Expliquei que aquele tipo de informação era pública e que eu não ia abrir mão dela.

Na saída, o fotógrafo Magnus Nascimento, que estava me acompanhando, foi fazer a foto da van, que permanecia parada. Nesse instante, desceram quatro caras do veículo, sendo o de vermelho o mais fora de si, e os quatro partiram para cima de mim, me ameaçando. O de vermelho se aproximou e começou a me agredir verbalmente e a exigir que eu apagasse as fotos e a informação.

Eu falei que não ia apagar nada e ele falou que ia me bater por causa disso.

Eu respondi: Bata. E nisso ele me deu um soco na boca.

Nesse momento, ele falou mais coisas, insinuando que ele e sua gang iriam me pegar e me bater muito. Eu me irritei e falei “Bata de novo f… da p…”, e ele me deu um tapa na cara nesse momento. Quando percebeu o que fez, ele correu para cima do fotógrafo e os outros três que sobraram começaram a me intimidar. Disseram que eu ia me arrepender, que eu não sabia com quem tava me metendo, que isso poderia gerar consequências contra mim. Em suma, me ameaçaram, até que o gordinho de camisa bege chegou e mandou os caras voltarem para a van e ficaram por lá.

Encontrei com o fotógrafo, depois que eles foram, e Magnus me garantiu que não tinha apagado nenhuma das fotos. Ele não foi agredido. Fomos então para a entrada do Complexo esperar o carro da redação. Fui com medo de que algum deles voltasse e tentasse algo mais grave, até pelo teor das ameaças que me fizeram.

O saldo disso foi lado direito da minha cara vermelha, e um lábio inchado. O agressor teve o cuidado de, na hora do soco, não acertar com força, nem em cheio e evitar assim maiores traumas e problemas para ele. Minha reação inicial foi prestar queixa, mas liguei antes para o jornal e decidir voltar para a redação, para deixar o fato registrado junto com a foto, que agora já está na rede.

A queixa contra os agressores vou prestar hoje na delegacia de Santarém.

Fotos Magnus Nascimento

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